O exercício das vozes
O exercício das vozes | |
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Descrição da obra | |
Autora | Tânia Du Bois |
Título | O exercício das vozes |
Subtítulo | crônicas |
Assunto | Crônica |
Formato | E-book (formato PDF) |
Editora | Projeto Passo Fundo |
Publicação | 2014 |
Páginas | 108 |
ISBN | 978-85-8326-058-5 |
Formato | Papel 15 x 21 cm |
Editora | Projeto Passo Fundo |
Publicação | 2014 |
O exercício das vozes: crônicas Tânia Du Bois não é só cronista por excelência, com o que se assume. Acrescento que é, também, cada vez mais (acompanhe Amantes nas Entrelinhas e este novo livro) poeta. Pedro Du Bois já havia percebido essa faceta da escritora, quando disse que seus textos são alimentados por citações literárias poéticas por natureza. Estou falando de seus escritos e da maneira com que ela enriquece suas crônicas, registrando citações e mostrando sua habilidade especial – fruto da sensibilidade; costura de forma harmônica e em igual estatura, como artesã, ao colocar em seus textos expressões de escritores “universais” e da “aldeia”. Essa maneira de escrever tornou-se sua “marca registrada”.
Poetas – categoria em que, por conta e sem risco, incluo Tânia –, por mais “fingidores que sejam”, como refere Pessoa, sempre, uns mais, outros menos, refletem o seu eu em seus escritos. Essa cronista e poeta, aqui não mais nas entrelinhas, não tem meio-termo, atira-se por completo sobre as palavras, confunde-se e casa-se com elas e nelas se reflete; esse abraçar-se resulta na produção literária exigente na forma semântica - perfeccionista é o termo adequado; instigadora, escorreita, agradável, criativa e, agora assumidamente permeada de poesia, sensível, elegante, carregada de finesse; tal é a escritora Tânia Du Bois em O Exercício das Vozes, numa só expressão.
Encerro bem a gosto da autora, citando Max Martins, “Tu que me lês, tu que me vês”. Descubra a escritora Tânia lendo esta sua obra. (Miguel Guggiana)
Apresentação
APRESENTAÇÃO, por Ivaldino Tasca
Com este instigante exercício das vozes (ah, ouvir vozes!) Tânia Du Bois nos brinda, inclusive com a vivência e a generosidade típicas de uma vovó coruja, preciosas pepitas de ouro. Sim, a mulher fala determinada em linguagem jovial, mas o traço vovó não é desprezível, daí a referência.
O que enxergou, ouviu, sentiu, e colheu ao longo das estradas sinuosas por onde caminhou com o vento fresco no rosto demarcando o tempo, foi juntando, juntando e, após delicado polimento, nos entrega para que façamos bom uso dessa riqueza acumulada. Com postura de garimpeira atilada extraiu pepitas de suas leituras e as melhores nos entrega, porque, como garante, “na vida do leitor o que não falta são grandes emoções”.
Tânia, com sutis traços de magia, com aguçada inteligência, faz jogo empolgante e provocador ao se postar, ao mesmo tempo, como escritora e como leitora. Ela sai pelo mundo a escrever e a ler, a ler e a escrever – e, eu diria, agora, a inspirar os poetas, como é o caso desse genial chamado Pedro – para manter-se no sonho e fazer-nos sonhadores.
Seu exercício é democrático aos nos convidar para ouvir todas as vozes – não exageremos, todas não, mas um número sem precedentes delas reunidas num só local – para experimentar ”momentos e emoções” que podem mudar nossas vidas. Alguém já teve a ousadia de imaginar um mundo sem vozes? Tânia fez o contrário, alcançou voz a tudo e a todos e fez seu livro vibrar.
Às “suas” vozes captadas no riso, na política, na parede, no vento, no homem, na pedra, nos pássaros, no silêncio e em outros pontos onde a vida pode pulsar e a sagacidade permitiu ela, magistralmente, mesclou vozes de quem a rodeia, a começar pela neta Júlia, e vozes que vem de longe sempre falando para espíritos inquietos. Jubilosa diz que a netinha “com sua pequena criação verbal, ilumina as nossas esperanças.” Eis um exemplo poderoso de uma voz presente neste livro... Ah, sim, ter ouvido e inspirado as vozes múltiplas de Pedro.
Nessa andança pelo território das vozes Tânia Du Bois lembra que “a língua é passaporte”, que a voz do vento demarca o tempo, que a vida é uma escola, que o amor despe o poeta, que a solidão nua é atual, que o amor desembrulha os nós, que o ato de escrever nem sempre comporta respostas, que viver grandes momentos amorosos significa acreditar no sentido da vida e que “cabe conversar, esclarecer e superar os gritos, porque em geral não são escutados”.
Sim, nesse passeio pela “mente” das vozes faz algumas afirmações universais que soam como leve puxão de orelhas: “quem não se comunica se trumbica”. E não foge dos questionamentos. Quer saber, por exemplo, por que o silêncio não silencia? E, ainda, “por que os homens não escutam as mulheres?” Quem poderia responder?
Bem, resumindo, o que realmente quero dizer sobre “o exercício das vozes” é que a Tânia Du Bois teve a rara felicidade de produzir para cada um de nós uma leitura gratificante a partir da voz poderosa e ao mesmo tempo meiga de uma mulher sábia. E momento gratificante é o que sempre esperamos de bons textos como este.
Boa leitura.
Índice
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Conteúdos relacionados
- 2014 - O livro foi lançado na III Semana das Letras da Academia Passo-Fundense de Letras ocorrida de 08 de abril de 2014.
Referências
- ↑ DU BOIS, Tânia. (2014) O exercício das vozes: crônicas -Passo Fundo: Projeto Passo Fundo. 108 páginas. E-book